Carnê-leão ou CNPJ? Para a maioria dos profissionais liberais, abrir empresa passa a compensar quando a renda mensal supera cerca de R$ 6 mil. Abaixo disso, a nova isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil por mês, criada pela Lei 15.270/2025, deixa a pessoa física bem competitiva. Acima desse ponto, no entanto, a diferença cresce rápido. Um autônomo que fatura R$ 12 mil por mês pode pagar cerca de 30% em tributos no carnê-leão. Com CNPJ no Simples Nacional, essa conta pode cair para perto de 9%.
Como funciona o carnê-leão para o autônomo em 2026?
O carnê-leão é o recolhimento mensal de Imposto de Renda de quem recebe de pessoas físicas ou do exterior.
Na prática, o cálculo segue a tabela do IRPF. Em 2026, quem tem rendimento mensal de até R$ 5 mil fica isento, graças ao redutor criado pela Lei 15.270/2025. Entre R$ 5 mil e R$ 7.350, o desconto diminui aos poucos. Acima disso, portanto, vale a alíquota cheia de 27,5%. O pagamento é feito por DARF (código 0190) até o último dia útil do mês seguinte.
Além disso, o autônomo pode lançar despesas da atividade no livro-caixa. Aluguel do consultório, conta de luz e material de trabalho, por exemplo, reduzem a base de cálculo. Segundo o manual do carnê-leão da Receita Federal, só entram gastos necessários para gerar a receita. Mas há um custo que pesa muito: o INSS. Quem atende pessoas físicas recolhe 20% sobre a renda, até o teto de R$ 8.475,55. Na prática, isso pode chegar a R$ 1.695 por mês.
E como fica a tributação com CNPJ no Simples Nacional?
Com CNPJ, a lógica muda. Em vez de tributar a renda da pessoa, o Simples Nacional cobra um percentual sobre o faturamento da empresa.
Para a maioria das profissões intelectuais, a alíquota inicial é de 6% no Anexo III. Para chegar lá, porém, a empresa precisa cumprir o Fator R. Isso significa ter folha de pagamento, incluindo o pró-labore, de pelo menos 28% do faturamento. Caso contrário, a atividade cai no Anexo V, que começa em 15,5%.
Por outro lado, o sócio recolhe apenas 11% de INSS sobre o pró-labore. Também paga IR sobre esse valor, mas pela mesma tabela da pessoa física. Assim, um pró-labore até R$ 5 mil fica isento. O restante do lucro pode ser distribuído sem Imposto de Renda, respeitado o limite mensal de R$ 50 mil por sócio. Para entender esse equilíbrio, veja nosso guia de pró-labore x distribuição de lucros.
Carnê-leão ou CNPJ: qual paga menos imposto na prática?
Imagine a situação: uma fisioterapeuta atende pacientes particulares e recebe R$ 12 mil por mês. Ela não tem despesas relevantes no livro-caixa e quer saber se vale continuar autônoma.
No carnê-leão, ela paga cerca de R$ 1.695 de INSS. Depois, o IR incide sobre o restante, o que dá perto de R$ 1.938. Assim, o total chega a R$ 3.633 por mês. Já com CNPJ, ela define um pró-labore de R$ 3.360, ou seja, 28% do faturamento. Com isso, paga R$ 720 de DAS e R$ 370 de INSS. Além disso, não há IR, porque o pró-labore fica abaixo de R$ 5 mil. O total cai para cerca de R$ 1.090.
| Ponto de comparação | Carnê-leão (autônomo) | CNPJ no Simples Nacional |
|---|---|---|
| Como o imposto é calculado | Tabela progressiva do IRPF, até 27,5% | Percentual sobre o faturamento, a partir de 6% |
| INSS | 20% sobre a renda, até R$ 1.695/mês | 11% sobre o pró-labore |
| Custo mensal com R$ 12 mil de renda | Cerca de R$ 3.633 (30%) | Cerca de R$ 1.090 (9%) + contador |
| Burocracia | Baixa: DARF mensal e livro-caixa | Maior: DAS, folha, notas e contabilidade |
Mesmo somando a mensalidade de um contador, a economia passa de R$ 2 mil por mês. Em um ano, portanto, a diferença supera R$ 24 mil.
Quando o carnê-leão ainda é a melhor escolha?
Para rendas menores, no entanto, a conta pode se inverter. Com R$ 5 mil por mês, por exemplo, o autônomo paga só os 20% de INSS, porque o IR fica zerado. Com CNPJ, ele pagaria DAS, INSS do pró-labore e ainda os honorários do contador. Nesse cenário, os dois modelos ficam praticamente empatados.
Além disso, o carnê-leão segue vantajoso em alguns casos específicos:
- quem tem muitas despesas dedutíveis no livro-caixa, como aluguel alto de consultório;
- quem já contribui pelo teto do INSS em um emprego CLT;
- quem trabalha de forma eventual, sem renda recorrente;
- profissões que caem no Anexo IV, como advocacia, que têm outra lógica de INSS.
Ainda assim, cada caso merece uma simulação própria.
Como fazer a transição do carnê-leão para o CNPJ?
Primeiro, escolha o CNAE correto da sua atividade. Em seguida, verifique o registro da sociedade no conselho de classe, quando ele for exigido. Também é importante definir o pró-labore já pensando no Fator R.
Outro cuidado é o momento da troca. Os rendimentos recebidos como pessoa física até a abertura continuam no carnê-leão. Por isso, guarde os recibos e o livro-caixa desse período para a declaração anual.
Ainda em dúvida entre carnê-leão ou CNPJ?
A equipe da ADS Contabilidade faz a simulação completa com os seus números reais, comparando carnê-leão, Simples Nacional e Lucro Presumido. Se a empresa compensar, cuidamos de toda a abertura de empresa, do CNAE ao Fator R. Fale com a gente e descubra quanto você pode economizar já nos próximos meses.